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Os prós e os contra da publicação independente

Atualizado: 6 de jul. de 2023

Venha saber se a publicação independente vale a pena ou não para você



Imagem: Pixabay


Se você ainda não leu meu artigo explicando a publicação independente, clique aqui. Caso você não esteja familiarizado com esse formato de publicação, vale a pena entender como funciona antes de seguir com esta leitura.


Vou começar com a parte positiva da publicação independente:

  1. Autonomia: na publicação independente, quem manda é o autor. Ele não precisa dar satisfações, muito menos convencer alguém sobre o quer. Se você for uma escritor que tem tudo muito bem planejado, idealizado, e já sabe que não aceitaria nenhuma mudança de planos, esta é uma boa opção para você; até para evitar conflitos com uma editora, pois, por mais que nessa relação você seja o cliente, terá de se adaptar às práticas da editora.

  2. Retorno financeiro: o investimento é todo do autor, mas o retorno também. Na publicação independente, o escritor lucra em todas as vendas de todos os exemplares, e 100%.

  3. Proximidade com o leitor: normalmente, o escritor independente é mais próximo de seu leitor, pois é ele que faz cada uma das vendas, escreve cada uma das dedicatórias, cuida de cada pós-venda. Por isso é comum que autores independentes experientes tenham uma base de leitores sólida, fiel.


Agora vamos aos contras da publicação independente, e eu já aviso que tenho muito mais a dizer:

  1. Qualidade em risco

O escritor que quer produzir o próprio livro precisa ser um profissional de produção editorial. O problema é que a maioria dos escritores independentes não tem conhecimento em editoração.


Veja onde já começa o problema: o escritor independente precisa contratar profissionais freelances: profissional de análise crítica, preparadores e revisores de texto, diagramador, capista, gráfica (se for publicação física).


Além de ir atrás dos profissionais freelances, negociar preços e prazos, o escritor vai ter que avaliar se aquele profissional é bom antes de contratá-lo, e também avaliar sua entrega, verificar se o serviço prestado está com a qualidade exigida pelos leitores que lerão — e avaliarão — seu livro. Para saber se um revisor é bom, para saber se o texto em que ele trabalhou está bem revisado, o escritor precisa saber revisar um livro, precisa saber as regras gramaticais e ortográficas; e esse é só um exemplo.


A verdade é que a maioria dos escritores independentes, por não tem conhecimento em editoração, ficam reféns dos profissionais que contratam, e não sabem se estes oferecem bons serviços ou não. E, se eles não oferecerem um bom serviço, o escritor publica um livro sem qualidade (história com furos, texto cheio de engasgos e erros, diagramação que dificulta a leitura, capa fora das tendências de mercado, textos de capa incoerentes com o conteúdo), o que pode ser fatal para sua carreira — depois de ler um livro sem qualidade, você compraria outro do mesmo autor, tendo tantas outras opções disponíveis? —, ou terá de pagar novamente por outro serviço.


O escritor pode até contratar, por exemplo, os mesmos freelances que as editoras contratam, só que deve ter em mente que as editoras não trabalham só com freelances, mas também com produtores editoriais, que são os profissionais que cuidam da produção dos livros, contratando freelas, avaliando suas entregas, decidindo se aquele texto precisa ser editado de novo, realizando os melhoramentos necessários... Sem contar as etapas necessárias para "juntar" a entrega de todos os freelances, como a etapa de conferência de emendas e a de cotejo de provas.


A área de produção editorial é complexa e conta com diversas etapas, que são realizadas por dezenas de profissionais diferentes dentro de uma editora, além daquele que coordena todo esse processo. O escritor que quer ser independente deve estar pronto para se responsabilizar pela qualidade de todas as etapas de produção editorial sozinho, assim como para assumir a responsabilidade quando as coisas derem errado.


  1. Armadilha do baixo custo

Quando é o escritor que gerencia cada gasto, é comum que ele tente economizar aqui e ali. Pra que contratar um capista, se ele manja de photoshop? Pra que contratar um profissional de análise crítica, se ele já fez um monte de curso na área de criação literária? Se deixar, tem escritor independente que produz o livro todo sozinho: análise crítica, preparação, revisão, capa, diagramação... Não tem como dar certo.


Você até pode economizar em alguma etapa se você for um profissional da área - com exceção do texto: um revisor, por exemplo, nunca deve considerar sua própria revisão como suficiente - , mas não tem como você ser bom em tudo. É por isso que a publicação independente causa a ilusão de ser baratinha, porque muito escritores decidem produzir o livro todo sozinho ou pulam etapas essenciais para garantir a qualidade do livro.



  1. Limitação

Na publicação independente, o escritor se propõe a fazer o trabalho de uma editora. Só que a editora conta com diversos profissionais, além da força e do alcance da sua marca.


Começo com algo simples: volume. Vamos supor que o escritor independente teve muito sucesso na sua divulgação, bancou uma produção editorial profissional e tem um ótimo produto, que está vendendo bem. Uns 50 livros por dia é um bom número? É. Agora me diga: quem vai entregar esses livros para os compradores? Não é fácil personalizar, embalar e postar nos correios 50 livros por dia, certo? E não se esqueça de que, além disso, o escritor independente precisa continuar atuando na sua divulgação, e, se quiser seguir carreira, produzir seu próximo original.


Outro exemplo é a distribuição. Vender na internet é legal, mas é preciso alcançar também o leitor-comum, e ter o livro distribuído para as redes livreiras não é fácil, até porque é necessário uma negociação entre duas empresas.


Ao longo da publicação independente, o escritor sente as limitações por estar sozinho.


  1. Exigência de tempo e energia

Tenho certeza que isso já ficou óbvio. Mas vale ressaltar: o escritor independente precisa ter muito tempo e energia.


A minha opinião sobre a publicação independente não é muito positiva. Sendo bem direta, acho que é muito investimento pra pouco retorno. São poucas as pessoas que têm o perfil pra fazer a publicação independente sem bem-sucedida.


Indico esse formato de publicação para escritores experientes, que por meio de suas publicações aprendeu sobre todas as etapas da cadeia do livro, que já têm uma boa base de leitores, que o seguirão seja qual for o formato de publicação. E também para escritores bem no começo de carreira, com publicações curtas, como contos e novelas, cujas produções não exigem tanto investimento; assim, ele pode ir sentindo o mercado, entendendo a dinâmica de divulgação, de interação com os leitores, de modo que, ao partir para a publicação de um romance, já ter conhecimento básico de mercado.












E aí, você tem o perfil para ser um escritor independente? Não? Fique tranquilo que há outras formas de publicação, e vou falar sobre elas nos próximos artigos desta série.


Ficou com dúvida? Comente sobre ela para que eu possa esclarecê-la.

 
 
 

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